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Das mãos dadas à apoteose final, viva o nosso carnaval! - Por Bruno Soares

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Janeiro chega. Crianças, adolescentes, jovens e adultos, tomam as ruas de Rio Tinto, com o tocar alegre e carnavalesco dos irreverentes ursos. Seguem de rua em rua, pedindo seus trocados e fazendo uma verdadeira festa, que fascina as crianças ou até mesmo trás medo, com suas máscaras, seu balançar e gingado, festejando cada trocado recebido. Medo ou alegria, eles são o rosto do nosso carnaval. Na terra potiguara de Rio Tinto, outrora fabril, carnaval é urso na rua. Nem sempre foi o grandioso espetáculo que tem se tornado, e aqui eu preciso declarar, que bom que cada dia cresce! O que era simples diversão na rua e um pequeno concurso, hoje já atrai a atenção do Brasil e é a aposta do governo municipal para carimbar, de uma vez por todas, nossa cara de carnaval e atrair turismo. Mas, é o que não vemos que trás ainda mais orgulho. A apoteose que transforma a praça João Pessoa num grande “ursódromo”, para celebrar uma festividade que tem o DNA dos riotintenses, tem uma estrutura feita de mãos doadas. Quem hoje enxerga o quão grande está se transformando este evento cultural, precisa entender quanto de empenho, de doação e paixão tem por trás disso tudo. Um trabalho voluntário, de quem quer ver sua agremiação ou equipe, avançar e dar seu melhor. No final, o presente é espetacular, e é de todos nós. Não reconhecer esses esforços e tentar diminuir esta expressão da nossa identidade cultural é desmerecer essa paixão, que toma conta de todas faixas etárias. 

Foi o empenho e as investidas, repito, voluntárias, que transformou um simples brincar, em uma manifestação carnavalesca particular, aos moldes dessa cidade. Foi a competição acirrada, positiva, que deu a muitos jovens a missão de a cada ano se superarem. E é isso que toma conta dos anseios dos seus envolvidos, a ponto da preparação iniciar meses antes. São patrocínios alcançados com muita determinação e muita, muita mesmo, doação espontânea. Seja na construção de belos teatros, danças, figurinos, ou na construção dos temas, na roupagem do urso, máscara, tudo pensado e esquematizado por jovens de nosso meio. Espetáculos que facilmente encantariam públicos em teatros e amostras culturais, neste Brasil a fora, e que, no entanto, é pensado e organizado por meninos e meninas do nosso dia a dia. Claro, eu sei que Rio Tinto tem uma vocação cultural, que eu chamo “vicentista”, em clara alusão ao professor e mestre cultural, de nossa cidade, Vicente Elias. É que nosso povo, sobretudo nossos jovens, caminham pelo caminho feito por ele. E essa vocação diz muito, ao vermos com que tamanho empenho a cultura, seja essa ou seja outras, são encaradas. É como se nosso ar cultural, soprado por ele no seu tempo, possa ser aspirado por aqueles que se envolvem pelas causas culturais, no hoje. 

No dia do concurso de carnaval, ao sentar na arquibancada, e vislumbrar o espetáculo, seja sensível e pare para refletir, que ali, tem uma obra de arte feita por nossa gente, para nossa gente e doado ao mundo, para que os olhos apreciem, os corações acelerem e os olhos encham d’água. Recorde dos que se foram e não viram o que sua brincadeira de carnaval se transformou e está se transformando. Permita-se sentir orgulho. E compartilho com você do meu. E não escondo a emoção de saber que existe gente empenhada em algo único num universo tão vasto e diverso que é este país. Numa sociedade cheia de momentos tristes, sobre tudo os dias atuais, deixe a emoção, fruto do trabalho desses meninos e meninas, tomar conta, e transformar a praça João Pessoa numa imensa nave, que viajando pelo tempo, pela mágica e pelos mitos, transborda alegria.

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